Assunto corrente na atualidade, o tema liberdade está presente na mídia, nas conversas cotidianas e, comumente, nas discussões mais inflamadas e polarizadas. O que diz a Doutrina Espírita? Somos livres para pensar, agir e nos expressarmos? Existe algum limite à liberdade? Qual o significado de liberdade no relacionamento humano?

Todo espírita conhece a famosa colocação de Paulo “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (1º Coríntios, 6.12), que traz a ideia de que ser livre não é fazer tudo o que se quer, mas se conscientizar e se responsabilizar por aquilo que escolhemos.

Juridicamente, podemos entender liberdade como o conjunto de direitos reconhecidos ao indivíduo, isoladamente ou em grupo, perante o Estado, que limita, por lei, o poder do cidadão de exercer a sua vontade.

No campo da filosofia, Aristóteles nos diz que liberdade é a possibilidade de realizar escolhas orientadas pela vontade. González Pecotche avança na ideia ao dizer que a liberdade, fundamento essencial da vida, está vinculada à responsabilidade individual, como alavanca que move os valores humanos, preservando-os do excesso, sempre prejudicial à independência de quem nele incorre. Observamos, portanto, que o conceito de liberdade tem por base a responsabilidade, o dever e o direito.

Vejamos o que diz O Livro dos Espíritos, capítulo X, “Da Lei de Liberdade”, pergunta 825:

“Haverá no mundo posições em que o homem possa jactar-se de gozar de absoluta liberdade?

Não, porque todos precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes.”

A questão 833 do Livro dos Espíritos esclarece que “No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como por-lhes peias. (…)”. No entanto, os Espíritos deixam claro que, ainda que nossos pensamentos sejam absolutamente livres, devemos estar sempre em acordo com as Leis Divinas, pois Deus tudo vê, tudo sabe e Ele é soberanamente justo e bom.

Kardec lembra ainda, que “Reprimir os atos exteriores de uma crença, quando acarretam qualquer prejuízo a terceiros, não é atentar contra a liberdade de consciência (…)”.

Sintetizando, a liberdade de expressão está, de fato, limitada a não ultrapassar os demais direitos fundamentais de outro indivíduo, pois nenhum direito fundamental pode ser usado como escudo para transgredir outro direito. Se a liberdade de um indivíduo fere a liberdade de outro, torna-se opressão. Assim, discursos racistas, misóginos, homofóbicos, discriminatórios ou que prejudiquem qualquer pessoa, não podem ser entendidos como manifestação de livre expressão, mas atentados de ódios. A liberdade individual não pode causar dano ao outro, pois a liberdade de um acaba quando começa a do outro.

Busquemos o conhecimento e a educação espírita como agentes equilibradores das nossas ações e pensamentos, de forma que sejamos indivíduos realmente livres, amorosos e acolhedores.

“O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 7)

REFLEXÕES SOBRE LIBERDADE E DOUTRINA ESPÍRITA