História

O Centro Espírita Amor , Caridade e Esperança desabrochou no encontro de corações amigos , que frequentavam o Culto do Evangelho no Lar , na acolhedora casa do casal Sr. Antônio dos Santos – médium doutrinador e receitista – e Sra. Rosa dos Santos , localizada à Rua São Manuel , nº 30 , em Botafogo. Ali, também compareciam o Sr. Agostinho José Rodrigues e a Sra. Benta Rodrigues – médium inconsciente , tendo como mentor Fernando Figueiredo – , os Srs. Carlos Manoel da Silva , Milton Rodrigues Serra , Antônio Corrêa Villela , Antônio Alves Ramos , Manoel Motta Teixeira , Manoel Machado Soares e Joaquim do Rosário, entre outros.

O que havia de comum entre eles ? Todos compartilhavam o mesmo ideal : a caridade ofertada ao seu semelhante , consolando , esclarecendo , aconselhando , balsamizando dores físicas e morais ; como , também , o conhecimento do mundo espiritual , o intercâmbio entre as duas esferas da vida : a física e a extra-física , no auxílio humilde aos Benfeitores espirituais , na ajuda do esclarecimento amoroso aos nossos irmãos desencarnados , que aportavam àquelas singelas reuniões.

O grupo crescia a cada reunião e aquele lar aconchegante tornou-se pequeno para abrigar e orientar tantas almas . assim é que , em uma das reuniões , a médium Dona Benta recebeu a orientação de um dos mentores do grupo , Padre Germano , para que procurassem um local , onde se pudesse instalar um Centro Espírita capaz de abrigar e atender aquelas pessoas que ali chegavam em busca de auxílio.

Buscando seguir a orientação da espiritualidade , foi iniciada a importante tarefa de se encontrar o lugar adequado para a instalação de mais uma Casa de Jesus aqui na Terra . Foi quando o Sr. Inácio Bittencourt , grande tarefeiro da seara de Jesus , prontamente cedeu ao grupo uma sobreloja , já mobiliada , à Rua Voluntários da Pátria , nº 20 , onde funcionava o Ciclo de Estudos Charitas.

Felizes com o promissor evento e ansiosos com o novo curso dos acontecimentos alvissareiros, era necessário e urgente escolher um nome para o nascente foco de luz , o Centro Espírita ... , seu nome deveria sintetizar os recônditos anelos espirituais daquele valoroso e incansável grupo de trabalhadores do Cristo . E , mais uma vez , a Espiritualidade Maior , interveio , através do Mentor Padre Germano : “ – o nome escolhido pela espiritualidade será o lema que norteará os trabalhos da Casa , Amor , Caridade e Esperança.

E assim florescia este manancial de luz que é o Centro Espírita Amor, Caridade e Esperança , fundado ao 1º dia do mês de setembro de 1942 , transformado em torrente de amor ao acolher , luzeiro de caridade ao esclarecer e nascente de esperança ao auxiliar o próximo.

Este seleto grupo já trazia de outros tempos o carinho e o respeito por João Batista , e assim decidiram que João Batista seria o Protetor e o Mentor Maior do Centro Espírita Amor, Caridade e Esperança.

Traçados os primeiros passos do seu destino , a Casa continuou a crescer , acolhendo cada vez mais trabalhadores e frequentadores que ali aportavam procurando uma palavra de consolo nos ensinamentos de Jesus e um alívio para as suas dores e dificuldades . E ,mais uma vez , o espaço físico da Casa não comportava o crescente número de sofredores do corpo e do espírito . Foi então que, durante uma reunião mediúnica , o mentor da médium Dona Benta , Fernando Figueiredo falou ao grupo da necessidade do Centro ter sua sede própria . Logo , a direção da Casa , tendo à frente o incansável tarefeiro Antônio dos Santos , abriu um “livro de ouro” com a finalidade de arrecadar fundos para a compra da nova sede do Centro Espírita Amor , Caridade e Esperança . Sem dúvida , a maior parte da quantia necessária à compra da nova sede foi doada pelo Sr. Antônio dos Santos.

Com a ajuda da espiritualidade , a chegada de novos sócios e o trabalho incessante de seus seareiros , o sonho acalentado por seus fundadores se concretizou e em 1962 comprou-se a casa , que hoje nos acolhe em seu irresistível e amoroso seio, à Rua São Manuel , nº 12 , em Botafogo.

Sem dúvida , o Sr. Antônio dos Santos é a figura que mais se destaca nos primeiros 34 anos de existência do Centro Espírita Amor , Caridade e Esperança ; pois , sempre é lembrado com imenso carinho e respeito , apesar da sua seriedade e rígida disciplina . Sua dedicação e amor à Casa e à causa , seu caráter reto , sua sensível percepção sempre em sintonia com a espiritualidade benfazeja , sua autoridade moral perante os Espíritos desviados da senda do bem , fizeram dele um líder natural e o diretor dos trabalhos mediúnicos até o seu retorno à pátria espiritual no ano de 1976 .

Através da sua mediunidade intuitiva , bastante desenvolvida , os mentores e trabalhadores espirituais da Casa orientavam suas atividades e os frequentadores que ali iam buscar um conselho , um lenitivo , um consolo . Sua dedicação e amor ao próximo eram tanto que mesmo o Centro estando fechado ele não hesitava em oferecer ajuda em sua própria residência , no nº 30 da Rua São Manoel .

Quanta coisa mudou desde então , nos anos 40 , 50 e 60 , o Espiritismo era visto com reservas pelas Autoridades do país . Por isso , os médiuns tinham que ser registrados em livro , com foto e carimbo da delegacia policial ; era preciso, também , atestado médico provando que não tinham doenças infecto-contagiosas e que gozavam de perfeito estado de sanidade mental . Esse livro era mantido no Centro para ser apresentado à polícia em caso de fiscalização.

Era , também , costume da época os homens e as mulheres sentarem-se em lados opostos no salão e crianças não podiam frequentar o Centro . Nos dias de festas solenes , os diretores trajavam terno e gravata e usavam um cravo branco na lapela .

Naquele então o Centro Espírita Amor , Caridade e Esperança tinha como atividade primordial o tratamento da desobsessão , em reuniões públicas muito concorridas , na qual a autoridade moral do Sr. Antônio dos Santos exercia controle irresistível sobre Espíritos comunicantes e médiuns . Era ele também o único doutrinador da Casa .

Com o desencarne do Sr. Antônio dos Santos em 1976 , as diretrizes do Centro começaram a se modificar , pois a época dos fenômenos e da curiosidade já havia passado , hoje há necessidade de estudo , raciocínio e conscientização , além do recolhimento e do silêncio interior . Assim , o Sr. Hélio Manoel Canellas e outros trabalhadores da Casa foram buscar o Dr. José Alberto Pastana , que era Presidente do Centro Espírita Seara Fraterna , no Catete e o Prof. Gerson Simões Monteiro , Presidente da USEERJ , hoje CEERJ (Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro) . Uma das primeiras providências tomadas pelo Prof. Gerson foi suspender as reuniões mediúnicas e estudar com os médiuns . Com isso , muitos trabalhadores do Centro e frequentadores deixaram a Casa . Mas os que permaneceram aceitaram as mudanças e as novas diretrizes da Instituição : estudo , conscientização , evangelização , reuniões mediúnicas privadas . O Prof. Gerson permaneceu na Casa durante cinco anos , organizando e orientando a reunião mediúnica . Hoje a Casa prioriza o estudo e continua seu trabalho de atendimento e tratamento espiritual nos moldes do livro Desobsessão de André Luiz , psicografado pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira ; assim como segue as recomendações do opúsculo da FEB (Federação Espírita Brasileira) Orientação Ao Centro Espírita . A Casa voltou a crescer e desenvolve ,neste momento , em torno de vinte cinco atividades ,além de cinco reuniões públicas e passe , durante a semana , e cinco grupos de reuniões mediúnicas privadas .

O VIAJANTE

Sou eterno viajante
Venho de um lugar distante
Para onde vou ?

Procuro um caminho certo
Já nem sei se longe ou perto
Os lugares onde andei .

Em outras vidas passadas
Habitei muitas moradas
Fui escravo e fui rei .

Vesti púrpura , vesti linho
Abandonei o bom caminho
E nas trevas penetrei .

D' água pura Alguém fez vinho
Me ofereceu com carinho
E em troca o condenei .

De andrajos cobri meu corpo
Sou um pobre viajante
Que cansado aqui parei .

No “ Amor , Caridade e Esperança “
Ascende de novo a chama :
É Jesus ! Ele me ama !
Meus irmãos vos encontrei !

( Mensagem psicografada pelo médium Hamilton Guerra em 1987 , no CEACE .)