A Prece

A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar Nele; é aproximar-se Dele; é pôr-se em comunicação com Ele.

De maneira geral, a prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige.

A três coisas podemos propor-nos por meio da prece:

  • pedir – por nós ou pelos outros;

  • agradecer – pelo que já recebemos ou estamos recebendo;

  • louvar – quando, sentindo e entendendo a sabedoria, bondade e poder de Deus, manifestamos-Lhe nossa admiração,  contentamento e confiança.

As preces feitas a Deus escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de Suas vontades.

Podemos recorrer a intermediários, a intercessores, mas nada sucede sem a vontade de Deus.

A prece deve ser clara, simples e concisa. Cada palavra deve ter alcance próprio, despertar uma idéia, fazer refletir, pôr em vibração uma fibra da alma.

A verdadeira prece não deve ser recitada, mas sentida. Uma expressão de sentimento vivo, real, a fim de que possamos realizar legítima comunhão com a espiritualidade maior.

A prece deve ser também inteligível, isto é, em língua que todos compreendam; já que cada palavra deve tocar os sentimentos. O que prevalece é a linguagem do coração; pois, a prece é fonte de energias, que alcançam aqueles para os quais estamos polarizando nossas vibrações, através de súplicas humildes, mas fervorosas e sinceras.

A  prece é a contínua ligação da mente e do coração com as coisas sublimes, e, a prática das boas obras pode ser considerada uma prece, assim como o trabalho nobilitante.

Os efeitos da prece se fazem sentir pela / o:

  • renovação do nosso bom ânimo;

  • fortalecimento que invade o nosso ser;

  • transformação que se opera em acontecimentos que tumultuavam nossa existência.

A prece nos consola, pois através dela somos inspirados, encorajados; recebemos bons conselhos e haurimos força moral para continuarmos a caminhada.

Porém, devemos compreender que a prece não poderá afastar os dissabores e as lições proveitosas da amargura, constante do mapa de serviços que cada Espírito deve prestar na sua tarefa terrena; contudo, dá-nos força para suportá-las; faz-nos obter o concurso dos Bons Espíritos que nos sustentam as resoluções e inspiram-nos idéias sãs; ajuda-nos a adquirir a força moral necessária a vencer as dificuldades, a remover os obstáculos, a retornarmos ao caminho reto; auxilia-nos no exercício da resignação, da paciência, da indulgência. Essa a sua eficácia.

Ao conjugarmos pensamento-vontade-sentimento, forças vivas e teledinâmicas do psiquismo, elevamos o potencial energético, sob a forma de intensa luminosidade restauradora e protetora.  

Na prece, a projeção dos raios psíquicos (consciência e coração), deslocam as melhores forças internas na direção das faixas superiores (sintonia). É, nesse processo de intercâmbio telemental, que absorvemos transfusões de fluidos salutares em intensa profusão, fortalecendo-nos para as lutas e trabalhos da existência.

A prece restaura e revitaliza o próprio organismo pela elevação do padrão vibratório; é profilática, pois ativa a circulação energética do indivíduo; é imunológica, pois auxilia a elaboração de anticorpos; é, ainda, antisséptica, saneadora e terapêutica.

Quando oramos irradiamos energias mentais que transpõem as fronteiras espaço-tempo, variando de pessoa para pessoa.

Allan Kardec:

O Livro Dos Espíritos, Parte 3ª, Cap. II, A Prece, Questões 658 a 666.

O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. XXVII – Pedi E Obtereis.