O Passe

Os passes têm percorrido um longo caminho desde as origens da humanidade, como prática terapêutica eficiente, e, atualmente, estão inseridos no universo das chamadas Terapêuticas Espiritualistas.

Apesar das várias nomenclaturas, como vem sendo denominado: magnoterapia, fluidoterapia, bioenergia, imposição das mãos, Reick, tratamento magnético, transfusão de energia-psi, etc., o passe vem  notabilizando-se por sua qualidade terapêutica.

O magnetismo e seu uso terapêutico foi utilizado não só pelos antigos sacerdotes: os magos da Caldéia, os brâmanes da Índia, os faquires, os egípcios, os gregos, os romanos e os druidas, mas também pelos sábios na Idade Média e por grandes pesquisadores e cientistas na Idade Moderna.

Não era outro o recurso utilizado por Jesus para restabelecer a saúde dos enfermos: a expansão do Seu psiquismo superior, pela ação da vontade rigorosa, alcançava as células enfermas e devolvia-lhes o equilíbrio energético, levando à cura.

No capítulo XIV – Os Fluidos, itens de 31 a 34 – Curas, no livro A Gênese, Allan Kardec nos diz:

“..., o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido...

São extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias... Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade. Entre os dois pólos extremos dessa faculdade, há infinitos matizes. Todas as curas desse gênero são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez da ação. O princípio é sempre o mesmo: o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se acha subordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais.

A ação magnética pode produzir-se de muitas maneiras:

1.º pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja ação se acha adstrita à força e, sobretudo, à qualidade do fluido;

2.º pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e sem intermediário sobre um encarnado, seja para o curar ou acalmar um sofrimento, seja para provocar o sono sonambúlico espontâneo, seja para exercer sobre o indivíduo uma influência física ou moral qualquer. É o magnetismo espiritual, cuja qualidade está na razão direta das qualidades do Espírito;

3.º pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento. É o magnetismo misto, semi-espiritual, ou, se o preferirem, humano-espiritual. Combinado com o fluido humano, o fluido espiritual lhe imprime qualidades de que ele carece. Em tais circunstâncias, o concurso dos Espíritos é amiúde espontâneo, porém, as mais das vezes, provocado por um apelo do magnetizador.

... No entanto, em épocas diversas e no seio de quase todos os povos, surgiram indivíduos que a possuíam em grau eminente... Uma vez que as curas desse gênero assentam num princípio natural e que o poder de operá-las não constitui privilégio, o que se segue é que elas não se operam fora da Natureza e que só são miraculosas na aparência.”

Assim é que o passe espírita é uma transfusão fluídica, uma doação energética, um derramamento de energias psicobiofísicas (fluidos perispirítico e vital) provenientes do médium passista, acrescidas das energias ou fluidos espirituais derramados sobre o médium passista pelos Benfeitores Espirituais, que atuam nesse trabalho socorrista; juntas produzem as condições de atendimento às necessidades do momento.

Quando o médium passista aplica o passe, impondo as mãos sobre a cabeça do recebedor, antes de derramar as energias humano-espirituais sobre o paciente, fica ele envolvido por essa energia, que lhe chega dos amigos espirituais responsáveis por essa atividade.

Assim sendo, o fluido espiritual circula, primeiro, na cabeça do médium passista, penetrando, através do centro de força coronário, para depois escorrer pelas mãos, postas sobre a cabeça do recebedor.

Os fluidos humano-espirituais atingem o centro coronário do recebedor que, absorvendo a energia, vai distribuí-la por todo o corpo espiritual (perispírito), carreando-a para o centro de força necessitado; o centro de força lesado vai absorver a parcela de recursos fluídicos de que necessita.

A ação fluídica chega aos centros de força localizados no perispírito. Esses centros de força funcionam como acumuladores de energia, distribuindo-as aos plexos localizados no corpo físico.

O contacto, entre o médium passista e os Espíritos responsáveis pela câmara de passes, se faz a nível mental: sintonia e intuição. Portanto, o passe espírita é aplicado em estado de lucidez e absoluta tranquilidade. O doador age como uma bomba calcante, enquanto que o recebedor, como uma bomba aspirante.

Essa doação- transferência de energias humano-espirituais, voluntária e deliberada, atinge e age, primeiro, no corpo espiritual ou perispírito, alterando o campo celular perispirítico; para depois, beneficiar o corpo físico: saneando-o (assepsia), refazendo as forças, fortalecendo-o.

O passe espírita, para sua aplicação, necessita apenas da imposição das mãos com: fé (confiança na Providência Divina), vontade (amor ao próximo) e prece (mental) – pensamento fervoroso e humilde que produz: o efeito de uma magnetização, chama o concurso dos bons espíritos, dirige para o necessitado uma salutar corrente fluídica.

Por que a diminuição da luminosidade?  — A diminuição da luminosidade evita a dispersão da atenção, facilita a concentração e preserva certos elementos constitutivos do ectoplasma, que costuma ser liberado pelos médiuns passistas, os quais sofrem um processo de desagregação com a incidência da luz branca.