O Centro Espírita

Antes de Allan Kardec começar a Codificar a Doutrina dos Espíritos (1857), existiam, em muitos países, grupos de pessoas e, até algumas sociedades, interessados em produzir e estudar os fenômenos do magnetismo, que acabava por conduzi-los ao campo das manifestações de Espíritos.

O próprio Prof. Hippolyte-Léon-Denizard Rivail (Allan Kardec), no início de suas pesquisas e estudos, em Paris – França,  frequentou reuniões mediúnicas em grupos familiares: na casa da Sra. Plainemaison, da família Baudin, do Sr. Carlotti. Nessas reuniões é que Allan Kardec fez suas primeiras observações sobre os fenômenos espíritas e obteve as informações básicas sobre a origem, natureza e destinação dos seres espirituais.

Não seria errado, pois, supormos que o Espiritismo e o Centro Espírita nasceram na intimidade dos lares. Porém, sob a orientação do Espiritismo, as reuniões de que Allan Kardec participava tomaram caráter mais sério e abrangente. Passaram a servir como ponto de encontro dos adeptos do Espiritismo para o estudo, a prática e a difusão da doutrina, visando, especificamente, o progresso intelectual e moral da Humanidade, assim como a prestação de assistência espiritual aos necessitados.

A partir daí, as reuniões passaram a transcender o reduto familiar e começaram a ser constituídas sociedades especialmente para esse fim.

Em 1º de abril de 1858, Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. E, a partir de então, surgem na França e em outros países, muitos grupos já com as características de verdadeiros Centros Espíritas, por sua estrutura, diretrizes e objetivos.

No século XIX, a cultura francesa exercia no Brasil grande influência, assim é que pouco depois do seu surgimento na França, o Espiritismo já se faz conhecido em nosso país e logo começam a formar-se grupos particulares, familiares, para o estudo e a prática da doutrina. Em 17 de setembro de 1865, Luiz Olímpio Teles de Menezes funda, na Bahia, o primeiro Centro Espírita no Brasil, O Grêmio Familiar Do Espiritismo; e, em julho de 1869, aparece o primeiro exemplar do periódico espírita bimestral O Eco D' Além Túmulo.

Grande parte desses grupos tornaram-se, depois, Sociedades Espíritas legalmente constituídas que progrediram e ampliaram suas atividades, adquirindo novas características, contudo buscando sempre o objetivo primordial da Doutrina Espírita: o progresso intelectual e moral da Humanidade.

No Brasil, cada Centro ou Sociedade Espírita constitui uma unidade fundamental do Movimento Espírita e, perante as leis do país é uma sociedade civil, com personalidade jurídica, denominada organização religiosa de caráter filosófico, científico, religioso e beneficente, congregando adeptos do Espiritismo, para estudo, prática e difusão da Doutrina Espírita e prestação de assistência social e espiritual, de objetivos filantrópicos, sem fins lucrativos. E, que obedece a estatuto próprio, realiza assembleias de associados efetivos, lavra atas, elege seus diretores, tem encargos financeiros e é isenta de determinados impostos pelo seu caráter de organização religiosa e beneficente, que presta contas, obrigatoriamente, de todos os seus atos.

Em Obras Póstumas, no capítulo que trata da Constituição do Espiritismo e Projeto 1868, Allan Kardec preconiza que:“Só o equilíbrio de cada instituição promoverá o equilíbrio do Movimento Espírita como um todo.” E, sobre a necessidade de união, o Codificador conclui: “Os Centros que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.” Do ponto de vista doutrinário e espiritual, o Centro Espírita é:Sociedade onde se mesclam criaturas encarnadas e desencarnadas em intercâmbio que faculta a evolução no programa de amor e trabalho.

Célula viva e pulsante onde se forjam caracteres, sob a ação enérgica do bem e do conhecimento.

Escola de almas onde a instrução e a educação se alargam, formando novos hábitos; conscientizando sobre a responsabilidade que geram nossos pensamentos, sentimentos e ações; esclarecendo que nós somos os artífices de nossa felicidade e infelicidade; ...

Oficina onde se trabalham os sentimentos e se modelam os valores éticos sob o influxo do sofrimento, da renovação (métodos depurativos) e do AMOR: caridade moral e material.

Hospital que fornece terapias para alcançar as causas geradoras do sofrimento: o passe, que transfunde energias restauradoras, reequilibrantes, refazentes, salutares, e, algumas vezes, curadoras; a água magnetizada; o atendimento fraterno; o tratamento espiritual; a desobsessão; a evangelização; o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE);  etc.

Templo ou Santuário de soerguimento das virtudes, através do pensamento cósmico, mediante a oração, a meditação, a reflexão e a atividade libertadora.

O Centro  Espírita  é  um  lugar  polivalente   ensejando   o    intercâmbio continuado do plano físico com o plano espiritual, na mesma faixa vibratória; estimulando o desenvolvimento das mentes equilibradas, construtora da sociedade feliz do futuro; educando o espírito imortal, a individualidade, a personalidade, o cidadão. A Casa Espírita é uma unidade educacional onde crianças, jovens, adultos e idosos convivem, estudam e trabalham com a finalidade de se aprender a viver segundo a moral cristã e de se formar o homem de bem, o homem ético-moral do futuro, o cidadão fraterno e solidário.