A Face Espiritual do Centro Espírita: A Outra Dimensão

Quando adentramos a Casa Espírita, não imaginamos a complexa estrutura espiritual que a sustenta e aos trabalhos aí desenvolvidos pelos encarnados, a fim de que ela possa atuar nos dois planos da vida: o físico e o extrafísico. Só percebemos a construção material e a agradável e pura  psicosfera ambiente que nos envolve e proporciona suave calma e bem-estar. Vemo-la como o local onde buscamos auxílio, amparo, consolo e esclarecimento. No entanto, o Centro Espírita transcende sua arquitetura e suas dimensões físicas, pois, aí o labor é desenvolvido, em conjunto, pelas duas humanidades do planeta Terra: a dos encarnados e a dos Espíritos desencarnados. Em razão disso, as providências e os cuidados da Espiritualidade Maior são imensos, no que diz respeito ao seu planejamento e à sua organização.

As planificações espirituais antecedem, em muito, a dos encarnados; pois, ao projetar-se e concretizar-se uma obra espírita no plano físico, ela já se encontra planificada na Espiritualidade.

Em realidade, a Casa Espírita é o trabalho que aí se desenvolve, o ambiente que se cultiva e preserva, a organização intertemporal que a orienta e assessora, os objetivos e as finalidades  que a norteiam, o ideal e o sentimento com que a conduzem. Tais alicerces farão com que a obra se edifique na Terra e permaneça de pé, vencendo tormentas e vicissitudes humanas, resistindo através dos tempos, à medida que a equipe de tarefeiros encarnados, dia a dia, acrescenta-lhe os tijolos do amor e o cimento da perseverança, efetuando suas tarefas com o selo da caridade e do desinteresse pessoal, transformando-a em verdadeiro templo-lar, hospital-escola.

Os planos iniciais para a fundação de um Centro Espírita acontecem na Espiritualidade com muitos anos de antecedência, quando a equipe espiritual (direção espiritual da futura Casa no plano físico) assume a responsabilidade de orientar e assessorar as futuras atividades que ali serão desenvolvidas. Isto se faz em sintonia com aqueles que irão reencarnar com tais programações. E, para que se estabeleçam esses compromissos são estudadas as fichas cármicas daqueles que se reunirão para um trabalho dessa ordem, logo, não o fazem por casualidade, mas sim por necessidades reencarnatórias, ou imposições das leis divinas, visando conceder-lhes oportunidades de crescimento espiritual, resgate e reeducação moral; ensejando, ainda, reencontros de almas afins, de companheiros de outras jornadas e, até, de desafetos no caminho da tolerância e do perdão, que o ambiente salutar e balsâmico da Casa e a diretriz clarificadora do Espiritismo – nossa transformação moral – propiciarão aos reencarnantes envolvidos no processo.

Antes mesmo de se definirem os planos da edificação material da Casa, são tomadas medidas que dizem respeito aos contingentes magnéticos no local e outras providências especiais (recursos magnéticos de defesa). Núcleo erguido no plano físico, departamentos reservados à câmara de passes, sala de reuniões mediúnicas e salão de palestras públicas recebem aparelhagens complexas, com finalidades específicas, para cada mister apropriado, no plano espiritual. Ao realizarem-se sessões mediúnicas especiais para atendimento de grupo de suicidas, os recursos  magnéticos, que constituem as defesas espirituais do Centro, são intensificados. O salão de palestras públicas recebe da Espiritualidade providências adequadas: Espíritos especializados magnetizam o ambiente, preservando-o e renovando-o constantemente, propiciando-lhe psicosfera salutar e purificada. Defesas magnéticas são instaladas, impedindo, assim, a entrada de entidades hostis e malfeitoras, entrando somente os que têm permissão. Local de tratamento das almas enfermas, que somos nós, torna-se indispensável que os recursos do “laboratório do mundo invisível” sejam mobilizados e acionados para o atendimento espiritual. Assim é que os Espíritos especializados fazem a triagem dos desencarnados que irão entrar; sempre visando os que estão em condições de serem beneficiados, enquanto outros são, momentaneamente, afastados de suas vítimas, durante a permanência no Centro. Para os Espíritos desencarnados que ficam postados do lado de fora da Casa, sem permissão para entrarem, a Espiritualidade os auxilia utilizando aparelhagem especial que transmite a palavra dos expositores amplificando-lhes a voz. Durante as palestras públicas, grande amparo é prestado ao público: equipes especializadas atendem aos que apresentarem condições espirituais-mentais favoráveis, receptivas, medicando-os e, até mesmo, realizando cirurgias espirituais. Torna-se mais fácil a aproximação de entidades benfeitoras junto aos encarnados, pela natureza do ambiente e por estarem estes com o pensamento voltado para os ensinos clarificadores da Doutrina, o que lhes modifica, temporariamente, os panoramas mentais, favorecendo o otimismo e a renovação interior.

Concomitantemente, os “Espíritos arquitetos”, muitas vezes, utilizam-se dos recursos dos painéis fluídicos que “dão vida” aos comentários do expositor, favorecendo o entendimento dos desencarnados presentes.

Todavia, toda essa programação só se realizará se o Centro Espírita tiver seu ambiente preservado de quaisquer frivolidades e mercantilismo, de intrigas e personalismo; se ali se cultivar a conversação sadia e edificante; se ali se praticar a verdadeira caridade e o estudo sério com vistas ao esclarecimento,  alívio e consolo das almas que ali aportam; colocando-se assim à altura da proteção dos Espíritos Superiores.

Amanda Augusta Sampaio Rosenhayme